Notícias 23 de Outubro de 2024
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Programa 60+ é pauta na revista da Federação Brasileira de Hospitais

Hospital São José de Jaraguá do Sul e o Programa 60+: eficiência e sustentabilidade no cuidado ao idoso.

A velocidade do envelhecimento populacional, especialmente nos países em desenvolvimento, tornou-se um tema de destaque, principalmente no que se refere à capacidade dos sistemas de saúde para atender a essa crescente demanda. Desde a metade do século XX, a maioria das pessoas idosas tem se concentrado nesses países. No Brasil, projeções estatísticas indicam que a população idosa passará de 7,5%, em 1991, para 15%, em 2025, fazendo com que o país se torne o sexto com a maior população idosa no mundo.

Diante do envelhecimento da população brasileira, há uma necessidade crescente de estruturar serviços e programas de saúde que possam responder às demandas emergentes do novo perfil epidemiológico. Os idosos utilizam os serviços hospitalares de forma mais intensiva do que outros grupos etários, o que gera custos mais elevados, dado que o tratamento tende a ser mais longo, com recuperação mais lenta e maior suscetibilidade a complicações. Isso ocorre porque a pessoa idosa hospitalizada é, muitas vezes, uma pessoa em processo de fragilização.

Nesse contexto, o Hospital São José de Jaraguá do Sul implantou, em 2018, o Programa 60+ Muito Mais Atenção ao Paciente Idoso, com o objetivo de qualificar o atendimento às pessoas idosas. O programa se baseia em três pilares: tecnologia; equipe qualificada; e capacitação em novos métodos e protocolos, visando um atendimento integral à saúde. O foco está em planos terapêuticos multidisciplinares, com ênfase na reabilitação e alta precoce, além de uma orientação de alta mais adequada, alinhada às necessidades do idoso. Assim, busca-se prevenir ou reduzir as chances de reinternação e minimizar os impactos na capacidade funcional dos pacientes durante o período de hospitalização.

Com recursos majoritariamente captados por meio de incentivos fiscais, o Programa 60+ possibilitou a aquisição de equipamentos para salas cirúrgicas completas, voltadas para cirurgias de grande porte em pacientes idosos, bem como para a reabilitação multidisciplinar. Além disso, foi criada uma ala de internação exclusiva para idosos, com 24 leitos e mobiliário adaptado às necessidades e à segurança desse público. Com a estruturação dessa ala, houve também a ampliação das equipes multidisciplinares, a criação de comissões internas para a discussão de casos clínicos e rounds científicos, além da disponibilização de plataformas de capacitação em espaços virtuais, promovendo o aperfeiçoamento da equipe em técnicas inovadoras de cuidado hospitalar.

Nos seis anos de existência do Programa 60+, o hospital passou por uma transformação significativa em sua cultura de atendimento ao paciente idoso, que representa mais de 50% do público atendido. Houve também melhorias na organização institucional e na padronização de protocolos, especialmente nos processos de internação e reabilitação. Isso foi possível graças à implementação de equipes e serviços focados principalmente nos pacientes idosos, buscando um uso mais eficiente dos recursos hospitalares e promovendo a sustentabilidade no cuidado.

Nos últimos dois anos, o Programa 60+ expandiu suas ações, abrangendo todas as iniciativas e os projetos do hospital voltados para a qualidade no atendimento ao idoso, alinhados aos padrões de certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA). Projetos focados no cuidado integral do paciente, e não apenas na medicina curativa, foram desenvolvidos, resultando na implementação de protocolos baseados em princípios de governança clínica. Estes protocolos, junto à atuação da Comissão de Desospitalização, buscam padronizar cuidados e auditar internações de longa permanência, investigando causas de permanência hospitalar prolongada, sejam elas clínicas, sejam relacionadas à gestão dos serviços.

Além disso, foram introduzidos protocolos de cuidados paliativos, trazendo uma nova abordagem ao atendimento clínico de pacientes em fase terminal ou com doenças graves. Essas iniciativas, ao se conectarem, contribuem para o desenvolvimento de técnicas inovadoras e protocolos que visam à alta precoce e segura do paciente idoso, melhorando a qualidade do atendimento e promovendo a sustentabilidade assistencial e financeira da Instituição.

Entre os resultados expressivos obtidos, destaca-se o trabalho da equipe de Cuidados Paliativos (CP). Com a implementação de protocolos clínicos de CP, foi possível alcançar uma taxa de 34% de alta para pacientes que, em outros cenários, teriam permanecido hospitalizados por longos períodos. Esses pacientes, por meio de orientação adequada e acolhimento familiar, puderam ser encaminhados para alta de maneira segura, contribuindo para a maior rotatividade de leitos e um acompanhamento mais eficaz. Em casos de reinternação, as equipes já estão cientes das condutas a serem tomadas, principalmente no que diz respeito à decisão da família de evitar procedimentos invasivos em quadros de terminalidade.

O Programa 60+ também tem proporcionado oportunidades de desenvolvimento profissional, viabilizando iniciativas de capacitação, como rounds científicos entre as equipes de saúde, com discussão de casos clínicos e implantação de protocolos inovadores. Esses esforços, juntamente à disponibilização de equipamentos modernos, permitem que o hospital vá além das práticas tradicionais, buscando a excelência na assistência à saúde. Os projetos são concebidos com o objetivo comum de tornar a gestão hospitalar mais eficiente, com base nos princípios da governança clínica, focada na padronização de cuidados e na melhoria contínua da qualidade do atendimento ao paciente, contribuindo para uma maior eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS).

Por fim, com uma visão de futuro, entende-se que investimentos em segurança do paciente, por meio de protocolos clínicos institucionais, maior tecnologia aplicada e acompanhamento rigoroso de indicadores de desempenho assistencial, podem contribuir para um cuidado mais adequado e seguro. Isso também proporciona a sustentabilidade física e financeira das instituições hospitalares, além de aumentar a eficiência e a eficácia do sistema de saúde como um todo.

Uma gestão hospitalar de excelência reflete-se na qualidade do atendimento, na constante inovação e na busca pela segurança e pela satisfação dos pacientes, sustentada por protocolos e uma governança que promova a sustentabilidade física e financeira da instituição.

Fonte: Visão Hospitalar — Revista da Federação Brasileira de Hospitais.



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